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quarta-feira, 25 de julho de 2012

Educação para todos? Cadê?

Está no ar a droga que não vicia, não mata e ainda faz bem pra pele: a minha coluna aqui no Pub, Com Grandes Poderes Vêm...

Brasil, o país das diferenças. Culturais? Também. Mas, acima de tudo, um país marcado historicamente pelos contrastes sociais. Por minorias enriquecidas sobre maiorias exploradas. Um país que ainda tem dificuldades em fazer prevalecer os direitos coletivos e individuais de seu povo, deixado tantas vezes de lado, de acordo com os interesses particulares de alguns - muitos - governantes corruptos. Brasil, o país que tapa os buracos de uma educação sucateada com medidas que teoricamente seriam provisórias – como as cotas -, e que nunca põe em vigor soluções de verdade.

O Brasil alcançou seus quase 200 milhões de habitantes, de acordo com ultimo censo. São milhares de brasileirinhos fora da sala de aula, seja pela distância, por ter que trabalhar para ajudar em casa, ou simplesmente porque a escola do bairro está abandonada pelo poder público - e isso quando ela existe. Talvez seja por isso que mais da metade da população no país inteiro não tenha conseguido terminar nem o ensino fundamental. Sim, mais da metade. As verbas direcionadas à educação – não estou contando com o que é desviado, é claro – não são suficientes para suprimir as deficiências do ensino público. Certo?

Bom, parece que o Governo Federal não acha isso, não. Muito pelo contrário, a educação está sim disponível a todos, basta força de vontade e perseverança, e você pode perfeitamente conseguir o diploma de um curso superior. Pelo menos isso que é mostrado nos comerciais do ProUni – Programa Universidade Para Todos -, cheio de jovens felizes e particularmente bastante satisfeitos, realizando o sonho de entrar numa universidade – para estudar, que fique bem claro. Mas, vamos lá, você já sabe o que é o ProUni?

“É um programa do Ministério da Educação, criado pelo Governo Federal em 2004, que oferece bolsas de estudo integrais e parciais em instituições de educação superior privadas, em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, a estudantes brasileiros, sem diploma de nível superior.”

O informe diz que mais de um milhão de jovens já foram beneficiados com o programa, e ressalta que ‘agora sim a universidade está ao alcance de todos’. Será? Primeiro, entendamos uma coisa: oferecer ensino público de qualidade à população é uma obrigação do Estado prevista em nossa Constituição, assim como moradia, trabalho e condições mínimas de lazer, cultura e dignidade - Saudações aos reality shows e aos escândalos políticos, respectivamente. Afirmar que a educação, qualquer que seja o nível, está disponível a todos, é desconsiderar todas as crianças, jovens e adultos que estão fora desse ‘todos’. E, acredite, são muitos.

Na verdade - o Governo gostando ou não -, a educação brasileira coleciona um grande número de deméritos, tanto no quesito acessibilidade quanto em estrutura - um grande problema que a propaganda Governamental não fala, é claro, é que aumentam as vagas nas universidades, mas não há estruturação adequada para um número maior de alunos. Não resolve nada aumentar o número de vagas nas universidades públicas, por exemplo, se não há como manter os estudantes. É evidente que há uma forte discrepância quanto ao conceito de educação ideal: a maioria dos pais acredita que estará dando mais chance aos filhos colocando-os numa instituição particular de ensino. Por quê? porquê os brasileiros não conseguem acreditar no ensino que o Estado oferece, e porquê construir e reformar estádios - futuros elefantes brancos - para Copa do Mundo é mais importante que reformar as escolas e universidades públicas, propor um salário de verdade aos professores e investir mais nos estudantes do país.

Mas, para que as mudanças possam ocorrer - as medidas sejam efetivas e a educação ganhe a atenção que lhe é devida -, é preciso que haja mais do que vontade, muito mais do que perseverança. É preciso que todos tenhamos, além de tudo, atitude - os políticos e nós, o povo. Caímos todos no terrível  comodismo e convencionalismo de encontrar terceiros em quem 'por a culpa'. É culpa da corrupção, do desinteresse dos governantes, não é? É, também. Mas também são responsáveis por isso todos aqueles que votam no carinha que mora na rua de casa, porque ele prometeu asfaltar aquele trecho da cidade para agradar à vizinhança, e os que votam no tio que dá remédio de graça em tempo de eleição, e todos os que dizem que votarão a esmo, porque "político é tudo igual", ou porque "eles não vão fazer nada mesmo". Precisamos, antes de cobrar, aprender a exercer nossa cidadania, questionar o poder, pressionar por mudanças, fazer com que elas aconteçam.

-Em torno de 966 mil crianças e adolescentes de 6 a 14 anos de idade não frequentavam escola em 2010;

-No contingente de adolescentes de 15 a 17 anos de idade do País, 16,7% não frequentavam escola em 2010;

-A parcela da população que concluiu pelo menos o curso superior foi de 8,3% e, no outro extremo, a constituída pelas pessoas sem instrução ou com o fundamental incompleto abarcou 50,2%;

(Todas as informações em dados no texto foram extraídas do documento criado a partir do censo de 2010, pesquisa realizada no país inteiro)

É isso. Gostou? Não? Comenta aí!







Comentários
2 Comentários

2 comentários:

Contando Histórias disse...

Ótimo post! É muito importante saber votar mesmo.

A acessibilidade à universidades é um problema mais grave do que parece. Veja bem, sou aluna de Letras, um curso de concorrência bem razoável, e estudo agora na USP, uma universidade que, pelo menos para o meu curso, oferece um número bom de vagas. Porém, acredito que se eu tivesse escolhido qualquer curso mais concorrido e com menos vagas disponíveis, não teria passado porque o vestibular simplesmente não ajuda. Independente do esforço, é injusto o sistema de avaliação.

O mesmo se aplica ao ProUni. O oferecimento para Letras na Mackenze era de TRÊS bolsas, por exemplo. E se eu estivesse lá, estaria correndo o risco de perder a bolsa com qualquer aumento mínimo de renda. Muitos amigos meus não conseguiram o que queriam ao prestar vestibular ano passado e isso é muito triste :(

Isabela

Doug disse...

Fico feliz em saber que voce gostou, Isabela=] Continue com a gente, tá?
O Doug.

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